logo

Terapias digitais e gamificação para estimulação cognitiva em idosos

Algumas atividades desafiam o usuário a realizar tarefas cotidianas de formas não usuais, como utilizar o mouse com a mão não dominante, expandindo redes neurais de maneira inovadora

  • Por Brazil Health
  • Por Jovem Pan

Na fascinante jornada do envelhecimento, nosso cérebro continua a surpreender com sua incrível capacidade de adaptação, conhecida como neuroplasticidade. Mesmo em idades avançadas, temos a habilidade de formar novas conexões neuronais e fortalecer as já existentes. Nesse movimento constante, as terapias digitais e a gamificação surgem como aliadas inovadoras para estimular a cognição dos idosos.


Como psicóloga e neurocientista, vejo nos jogos digitais uma poderosa ferramenta para engajar e desafiar a mente. Pense em jogos que envolvem quebra-cabeças, desafios de memória e lógica. Um exemplo é um jogo no qual o jogador combina pares de cartas, exercitando a memória visual e espacial. Ou palavras cruzadas digitais que se adaptam ao nível do jogador, desafiando vocabulário e agilidade mental. Existem também jogos de estratégia, como o famoso “Torre de Hanói”, em que o usuário precisa mover discos entre torres virtuais utilizando o mouse ou toques na tela. Esses jogos não apenas promovem o exercício mental, mas também melhoram o bem-estar emocional dos usuários, mantendo a motivação sempre elevada.


As neuróbicas — exercícios desenvolvidos para estimular diferentes áreas do cérebro — oferecem soluções ainda mais interativas. Algumas atividades desafiam o usuário a realizar tarefas cotidianas de formas não usuais, como utilizar o mouse com a mão não dominante, expandindo redes neurais de maneira inovadora. Além disso, o uso de óculos 3D para práticas de meditação ou “caminhadas” virtuais por ambientes ao ar livre, como praias e parques, assim como jogos com Kinect, ampliam a experiência sensorial e cognitiva.

Um grande trunfo das terapias digitais é a personalização. Os jogos são ajustados para atender às necessidades e habilidades de cada idoso, garantindo que todos possam participar e se beneficiar. Essa adaptabilidade torna a terapia não apenas inclusiva, mas também mais eficaz.


Pesquisas iniciais indicam que a gamificação pode melhorar a atenção, fortalecer a memória de curto prazo e aprimorar habilidades de resolução de problemas. Além disso, contribui para um humor mais positivo e um aumento na autoconfiança dos idosos, impactando diretamente sua qualidade de vida.

Com essas promessas, é essencial incorporar terapias digitais aos modelos tradicionais de cuidado cognitivo. Essa combinação de inovação e tradição oferece uma abordagem abrangente e eficaz para enfrentar os desafios do envelhecimento.

A gamificação e as terapias digitais representam um novo horizonte na neuropsicologia do envelhecimento, trazendo esperança renovada para um envelhecimento ativo e saudável. À medida que a tecnologia avança, espera-se um leque ainda maior de opções, promovendo uma saúde cognitiva robusta para nossos idosos.



Mariângela Gamba Maestri
Neuropsicóloga/Neurocientista CRP 08.14128

Projeto no Senado quer barrar prescrição de remédios por farmacêuticos; veja entrevista com o autor

  • Por Jovem Pan

A recente resolução do Conselho Federal de Farmácia, que autoriza farmacêuticos a prescreverem medicamentos, tem gerado um intenso debate no Senado. O senador Dr. Hiran (PP-RR), em resposta à medida, apresentou um projeto de decreto legislativo com o objetivo de barrar essa autorização. Ele argumenta que a prerrogativa de prescrição de medicamentos não está prevista na legislação que regulamenta a profissão de farmacêutico. Segundo o senador, a resolução pode abrir margem para distorções na prescrição de medicamentos, uma vez que a Lei do Ato Médico já estabelece que a prescrição e o diagnóstico de patologias são atribuições exclusivas dos médicos.


Hiran expressou suas preocupações ao destacar que a resolução do Conselho Federal de Farmácia, que permite a prescrição de medicamentos, inclusive os de tarja preta, não está em conformidade com a legislação vigente. Ele defende que a prescrição de medicamentos deve ser precedida por um diagnóstico clínico adequado, algo que, segundo ele, não faz parte das diretrizes e competências dos cursos de farmácia. Além disso, o senador manifestou preocupação com a proliferação de escolas médicas que formam profissionais com formação questionável, o que, em sua visão, agrava ainda mais a situação.


A resolução, que foi publicada no último dia 17, está programada para entrar em vigor em meados de abril. No entanto, o senador Hiran acredita que a medida será suspensa, uma vez que a maioria dos líderes do Senado compartilha da opinião de que a resolução coloca em risco a saúde pública. Ele espera que o projeto de decreto legislativo seja votado na próxima semana, após uma discussão com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O parlamentar enfatiza que a intenção é proteger a saúde e a segurança das pessoas, respeitando o marco legal que define o diagnóstico e tratamento de seres humanos como prerrogativa dos médicos.

A medicina vista de outra forma: o que mudou após a pandemia

Empresários da saúde falam sobre desafios do novo cenário e como é sobreviver para salvar vidas

  • Por Renata Rode 

Os números não mentem: cada vez mais estudos comprovam que o segredo para a longevidade está no equilíbrio. De acordo com pesquisa publicada pelo Jama (Jornal da Associação Médica dos EUA) em 2023, a saúde mental é indissociável da saúde física e transtornos não tratados podem, sim, levar a quadros graves e uma piora de todo o organismo. Mas a pergunta que não quer calar é: como anda a saúde dos empresários brasileiros que atuam na área? Como é sobreviver após o caos e continuar salvando vidas? Para Rodrigo Ranieri, cirurgião do aparelho digestivo e diretor médico do grupo Plena Saúde, trabalhar na área sempre foi e sempre será um desafio. “Lidar com vidas é uma responsabilidade extrema e quando falamos de um hospital como empresa, é preciso lembrar que não estamos lidando com números e sim, com vidas. Grandes hospitais funcionam 24 horas por dia, logo as tomadas de decisão ocorrem a qualquer hora, mesmo de madrugada, aos finais de semana e feriados”, pontua.


Além disso, o executivo, que afirma ter ingressado na faculdade de medicina já pensando em empreender no segmento, ressalta que o crescimento de custos operacionais assistenciais na área da saúde suplementar são obstáculos na administração dos negócios. “Há um significativo salto devido ao aumento exponencial no valor de materiais e medicamentos aliados às novas terapias liberadas pela ANS – Agência Nacional de Saúde, muitas passando de milhões de reais para um único paciente, ou seja, sobreviver e se manter no mercado está cada vez mais desafiador e menos atrativo; não apenas pelas questões financeiras, mas também devido à alta complexidade do sistema, burocracia e concorrência acirrada”, declara. Profissão e negócios em saúde por amor e pela dor.


De acordo com a pesquisa “Monitor Global dos Serviços de Saúde” de 2024, a saúde mental é a principal preocupação para a maioria dos brasileiros e isso não seria diferente para essa classe. Depois de 10 anos trabalhando com vendas de materiais médicos e após passar por um problema grave de saúde, Alex Romanosk decidiu mudar o rumo dos negócios e praticar um propósito: ajudar, modernizar e promover cirurgias modelo. “Através de uma estrutura para atender hospitais de maneira verticalizada, ofereço equipamentos de última geração e equipes qualificadas para viabilizar procedimentos com excelência em diversas especialidades. Brinco que faço o que faço hoje por amor, mas aprendi pela dor, quando me vi internado e precisando de cuidados médicos. Depois dessa passagem decidi que iria empreender de uma forma que gerasse economia aos hospitais e melhor qualidade de vida aos pacientes”, explica o CEO da Ottima Tecnologia em Saúde.


Com um novo perfil de paciente, atento às informações sobre saúde e mais questionador do que nunca, surge também um novo perfil de atuação na medicina que reúne empreendedores jovens e ávidos por modernidade. “A medicina humanizada que enxerga o problema de forma integrativa prevalece e tem a ajuda da tecnologia, que, a cada dia, otimiza a rotina de médicos e hospitais, em benefício ao próximo. Seja porque nossos equipamentos reduzem as horas de cirurgia e promovem melhora mental e clínica dos profissionais envolvidos, e, inclusive, rápida recuperação por parte do paciente, seja pela economia gerada e segurança nos protocolos: é um avanço e modernidade em todos os sentidos”, defende Alex.



Para o médico que atua como empresário e ainda exerce o ofício de cirurgião, cada vez mais empreendedores mais novos são mais predispostos às novidades. “Alguns empresários mais velhos tendem a ter uma certa resistência a novas práticas e tecnologias, como a inteligência artificial, por exemplo, que tem se mostrado uma excelente ferramenta para análise de dados de forma mais rápida, precisa e muitas vezes, com menor custo operacional a longo prazo”, relata Ranieri. Romanosk concorda e complementa dizendo que o empresário mais jovem tem uma abordagem diferente, prioriza a eficiência dos processos, está mais aberto a mudanças e foca mais na experiência dos seus clientes e em suas entregas. “Isso certamente influência e muda paradigmas no atendimento atual em saúde e, consequentemente, no futuro. A abundância de informações também oferece a oportunidade de ampliar o conhecimento e promover abordagens mais personalizadas e eficazes para os pacientes. O importante é que os profissionais de saúde saibam filtrar as informações relevantes, baseadas em evidências científicas sólidas, e aplicá-las de acordo com as necessidades específicas de cada paciente”.


O Covid-19 foi um divisor de águas na vida de todos e mudou o cenário da saúde de maneira nacional e mundial. “Especificamente em nosso mercado, a pandemia serviu para separar hospitais e planos com gestores eficientes para lidar com uma alta demanda de pacientes internados em estado grave, gerando um alto custo assistencial e mudança estrutural, aliados com a ausência de faturamento de procedimentos particulares ou de convênios externos. Quem soube gerenciar essa crise, sobreviveu, porém, mais de 100 planos de saúde faliram após o isolamento” detalha Rodrigo.


O executivo ainda complementa: “A grande lição após a pandemia foi a diminuição de desperdício porque o que passamos exigiu que continuássemos com uma assistência médica de excelência, com um déficit financeiro. Após medirmos e analisarmos, conseguimos otimizar os gastos assistenciais, tanto de medicamentos e materiais, como com a mão de obra, diminuindo o custo operacional global e nos mantendo no jogo. Eu não diria que ser empresário de saúde no Brasil é um milagre, mas posso afirmar que é uma função cada vez menos atrativa, financeiramente principalmente. A alta carga de trabalho mesmo fora de horário comercial, aos finais de semana, feriados e até mesmo nas férias associadas com a pressão externa buscando melhora no atendimento assistencial e não assistencial com um baixo custo operacional acaba pesando. Eu sempre digo que empresários da área da saúde tem que aprender a ‘dormir no barulho’. Se você conhece algum gestor ou empresário da área da saúde que não segue o que citei, tenha certeza que alguém está fazendo o trabalho dele”, finaliza.

Share by: